Bento+20 debate futuro das cidades responsivas a partir de dados e tecnologia
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Palestra no CIC-BG ocorrida nesta quarta-feira aproximou da sociedade o conceito de cidade responsiva.

Criado para pensar a Bento Gonçalves do futuro, o Bento+20 aproximou da sociedade, em palestra nesta quarta-feira, o conceito de cidades responsivas como forma de os municípios responderem às transformações sociais, econômicas e demográficas. No Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG), a gerente de projetos no Instituto Cidades Responsivas, Bruna Pengo, defendeu que o desenvolvimento urbano precisa deixar de ser guiado apenas por percepções e passar a utilizar inteligência de dados como base para as decisões, de modo a construir municípios mais preparados para atender às demandas da população e às mudanças que se desenham nas próximas décadas.
"Hoje ainda trabalhamos com informações dispersas, em diferentes setores e instituições. O ideal é evoluirmos para uma rede distribuída, com uma base única de dados compartilhada, permitindo decisões mais eficientes e conectadas", disse.
Ao abordar os cenários futuros, ela chamou atenção para as projeções demográficas brasileiras. Segundo os estudos apresentados, o país deverá interromper seu crescimento populacional nas próximas décadas, movimento que ocorre de forma ainda mais acelerada no Rio Grande do Sul. "A perspectiva é que a partir de 2027 nossa população já começa a cair. Então, o nosso último ano de crescimento populacional é esse ano", observou. Esse contexto, conforme Bruna, exige uma nova forma de pensar investimentos, infraestrutura, habitação e serviços públicos. "Precisamos planejar cidades entendendo que a população deixará de crescer. Isso muda completamente a forma como pensamos expansão urbana, desenvolvimento e qualidade de vida".
Nesse sentido, outra mudança que as cidades enfrentarão será acarretada pela reforma tributária. Com a arrecadação passando a ser concentrada no local onde ocorre o consumo, e não mais na origem da produção, as cidades precisarão fortalecer sua capacidade de atrair moradores, visitantes e investimentos, tornando-se mais competitivas também pela qualidade dos espaços urbanos e das oportunidades oferecidas.
Apesar dos desafios, Bento Gonçalves aparece em um cenário bastante favorável. Dados apresentados durante a palestra apontam que o município mantém perspectivas superiores às médias estadual e nacional, impulsionado pela força da economia, pelo turismo e pela qualidade de vida. A projeção é de continuidade do crescimento populacional e de expansão da demanda por habitação e serviços – a previsão é de que até a metade da próxima década Bento supere os 150 mil habitantes.
Como demonstração da aplicação prática desses conceitos, a palestrante apresentou um estudo desenvolvido para um empreendimento em Bento Gonçalves, no qual análises de mobilidade, turismo, mercado imobiliário, infraestrutura, áreas verdes e comportamento da população serviram de base para definir as características do projeto. O case do Jardins Dona Isabel evidenciou como o uso de inteligência de dados pode orientar a criação de novas centralidades urbanas, melhorar a integração entre diferentes regiões da cidade e contribuir para um desenvolvimento alinhado às necessidades atuais e futuras do município. "Os dados não servem apenas para dizer onde construir. Eles ajudam a entender o que a cidade precisa, como ela funciona e de que forma um projeto pode transformar ativamente todo o seu entorno", disse Bruna.