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Trilhos abandonados, futuro em risco: quando a ferrovia some, o desenvolvimento vai junto

Como o "RUMO" das ferrovias que cortam Bento Gonçalves, bem como de todo o sistema ferroviário do Estado, preocupa e deve ser objeto de ações urgentes.



A ferrovia sempre foi sinônimo de progresso. Onde há trilhos, há integração, competitividade e desenvolvimento. Em Bento Gonçalves, porém, o que se vê hoje é o oposto: abandono, incerteza e silêncio. O colapso da malha ferroviária na Serra Gaúcha deixou de ser um problema operacional e passou a representar um risco ao futuro econômico da região. Para o Bento+20, chegou a hora de tratar o tema com a gravidade que ele exige.

A situação atual das ferrovias no Rio Grande do Sul evidencia o fracasso do modelo de concessão adotado nas últimas décadas. Concentrada em uma única operadora, a Malha Sul perdeu capacidade de resposta, transparência e compromisso com o território. Em síntese, é possível dizer que NOSSAS FERROVIAS PERDERAM SEU "RUMO". Hoje, mais da metade dos trilhos está fora de operação. No Estado, após as enchentes de maio de 2024, a extensão ferroviária ativa foi drasticamente reduzida. A concessionária, Rumo Logística, parece que se importa apenas com as malhas mais rentáveis.

Em Bento Gonçalves, o impacto é direto. Não há mais circulação de trens de carga pelo trecho da Alcântara e da Serra das Antas. Os trilhos destruídos pelas enchentes não foram recompostos. Não há cronograma, não há plano apresentado, tampouco justificativas convincentes. A ferrovia simplesmente desapareceu da rotina logística da cidade.

Essa ausência não é neutra. Ela encarece o transporte, sobrecarrega as rodovias, reduz a competitividade da indústria local e fragiliza cadeias produtivas inteiras. Uma cidade com forte vocação industrial, moveleira, vitivinícola e turística não pode aceitar a perda de um modal estratégico como algo normal.

Serra das Antas: o símbolo mais claro do abandono

Se a interrupção da ferrovia já seria grave por si só, a situação da Serra das Antas amplia ainda mais a preocupação. Os viadutos ferroviários, construídos com grande esforço técnico pelo nosso lendário Batalhão Ferroviário do Exército, motivo de orgulho para nossa cidade, seguem envoltos em incerteza. Não há informações claras sobre a integridade estrutural interna das obras após as enchentes. Tampouco há comunicação efetiva sobre inspeções, laudos ou intervenções previstas.

O retrato mais chocante desse cenário são as composições ferroviárias que ficaram presas no trecho no momento do desastre climático e que, quase dois anos depois, permanecem abandonadas. Vagões parados, trilhos inutilizados e ausência de qualquer ação concreta transformaram um corredor logístico estratégico em um símbolo visível de descaso.

Esse quadro reforça a sensação de que o contrato de concessão perdeu aderência à realidade regional. O território ficou refém de decisões tomadas à distância, sem diálogo, sem urgência e sem responsabilidade compartilhada.

Justiça, mobilização e pressão institucional

Diante desse contexto, o Bento+20 destaca e valoriza a iniciativa do deputado estadual Guilherme Pasin, que ingressou com ação judicial para barrar a remoção de trilhos pela Rumo Logística e obrigar a concessionária a apresentar soluções. A medida é relevante não apenas pelo aspecto jurídico, mas pelo sinal político que carrega: a região não aceitará mais a retirada silenciosa de ativos estratégicos.

No entanto, o momento exige mobilização ampla e coordenada. Entidades empresariais, movimentos de desenvolvimento, lideranças políticas e governos municipais precisam atuar de forma conjunta. O problema é regional, e a resposta também precisa ser.

Bento Gonçalves não pode e não deve enfrentar esse desafio sozinha. A ferrovia conecta cidades, setores produtivos e Estados. Sua reconstrução e modernização exigem articulação institucional e visão de longo prazo.

Um novo caminho possível: romper o monopólio

É nesse cenário que o modelo de concessão proposto pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) ganha força. A proposta prevê uma empresa responsável pela infraestrutura ferroviária (trilhos, manutenção e investimentos) e diversas operadoras logísticas utilizando a malha mediante pagamento.

Esse formato rompe com o monopólio atual, amplia a concorrência, atrai investimentos privados e reduz a dependência de aportes públicos. Mais do que isso, preserva a lógica de corredor regional, essencial para a competitividade do Sul do Brasil.

Ao se posicionar contra o fatiamento da Malha Sul, o Codesul aponta um caminho estratégico. Fragmentar a ferrovia é reduzir escala, afastar investidores e comprometer a integração logística. Insistir no modelo atual é repetir um erro que já demonstrou, na prática, seus limites.

Ferrovia é estratégia, não detalhe

Para o Bento+20, discutir ferrovias não é discutir passado. É discutir futuro. É falar de desenvolvimento econômico, sustentabilidade, planejamento urbano, competitividade industrial e equilíbrio territorial.

A retirada dos trilhos não está acontecendo de uma vez. Ela vem ocorrendo aos poucos, no silêncio, na ausência de respostas, na normalização do abandono. E quando se percebe, o que se perdeu não foi apenas a ferrovia, mas oportunidades, investimentos e capacidade de crescimento.

O Bento+20 seguirá atento, atuante e mobilizado. Defender a ferrovia é defender Bento Gonçalves, a Serra Gaúcha e o futuro do desenvolvimento regional.

Trilho parado não é apenas ferro enferrujando. É o futuro esperando para seguir adiante.

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